Quando se pode considerar que a criança demora a falar?

Publicado: 16/10/2017


Qual mamãe e qual papai que não esperam ansiosos pela primeira fala de seu bebê? Quando vai chegando o momento em que a criança começa a balbuciar as primeiras sílabas, toda a família se reúne ao seu redor para ouvir e comemorar. E, muitas vezes, a ansiedade dos pais é tanta que qualquer som parecido com uma palavra já se diz que a criança aprendeu a falar.

Mas, e quando a criança demora a começar a falar? Afinal, qual é o tempo correto que um bebê deve pronunciar suas primeiras palavras? 

Segundo as especialistas, a criança aprende a falar de acordo com a repetição, ou seja, ela repete os sons que ouve. Elas também explicam que os pequenos inseridos ao bilinguismo, ou seja, que aprendem mais de um idioma ao mesmo tempo, normalmente começam a falar um pouco mais tarde. Já crianças que têm irmãos mais velhos tendem a conversar mais cedo do que um filho único, e gêmeos geralmente criam uma linguagem própria entre eles e, às vezes, isso fazem com que eles percam interesse em articular palavras com os adultos tão cedo.

Em todos estes casos, segundo Adriana e Ana Paula, as crianças começam a se comunicar com as palavras quando se sentem confortáveis e não há interrupção no processo de aquisição da linguagem.

As psicanalistas explicam que a fala começa a ser treinada a partir do nascimento. O ato de nascer impele o choro, que nos momentos seguintes da vida irá representar muitas outras coisas que os pais e cuidadores passarão a descobrir através de indagações e sinais com a criança. Apenas os bebês com problemas no aparelho fonador não são capazes de se comunicar através do choro ou de sons. Até mesmo as crianças com deficiência auditiva possuem o som da voz.

De acordo com as especialistas, o ensaio e erro dessa fase, que permite saber sobre o choro e descobrir do que não se trata, prepara a próxima etapa: o bebê poder apontar para o que quer. Esse caminho indica que muito antes de um bebê murmurar a primeira palavra, ele aprende as regras da linguagem e se utiliza desses códigos para se comunicar, até que as primeiras palavras surjam como resultado do que foi percebido e praticado.

As psicanalistas sugerem ainda que sempre se deve incentivar os bebês a pedirem o que não têm à mão, ou mesmo o que querem além disso, para estimular o esforço do pronunciamento das palavras.

Ana Paula e Adriana também explicaram que a ausência da fala pode estar relacionada ao fato da criança ser muito quieta ou muito agitada. Esse tipo de comportamento pode ser diagnosticado como inibição ou hiperatividade, sendo que em ambos os casos a criança encontra dificuldade no meio social em que vive e em sua comunicação, por isso podem ter atrasos na fala.

De acordo com a Pesquisa Multricêntrica de Indicadores Clínicos de Risco para o Desenvolvimento Infantil (IRDIs), estima-se que com idade entre 0 e 4 meses é quando a criança chora ou grita; entre 4 e 8 meses é quando ela utiliza sinais diferentes para expressar suas diferentes necessidades (sorri, vocaliza sons, etc); de 8 a 12 meses é quando ela compartilha de uma linguagem particular com seus pais e cuidadores; e de 12 a 18 meses é quando os pais começam a pedir que a criança nomeie o que deseja.

As psicanalistas vão adiante a essa pesquisa e explicam que, de 18 meses a 2 anos, é a fase em que as palavras começam a aparecer em uma velocidade surpreendente e algumas crianças já conseguem formar pequenas frases. E que, de 2 a 3 anos, é quando a criança começa a fazer frases de três palavras, repertório que segue em crescimento para ela expressar o que quer e contar o que fez, por exemplo.

Entretanto, segundo as psicanalistas, essas aquisições podem ultrapassar os 3 anos de idade e algumas crianças podem precisar de um tempo maior de amadurecimento em alguma etapa do desenvolvimento. Por isso, os pais e cuidadores devem sempre observar os pequenos com atenção.

De acordo com as psicanalistas, uma avaliação de um especialista somente deve ser solicitada quando um bebê de 0 a 6 meses para de balbuciar, ou quando uma criança de 9 a 15 meses ainda não pronuncia palavras, não se consegue entender nem supor o que ela pronuncia, ou até mesmo se nessa fase o surgimento de eventos como a gagueira não sumirem rapidamente. Após observar sinais estes, pediatra ou fonoaudiólogo devem ser consultados para um diagnóstico preciso.


Fonte: https://catraquinha.catracalivre.com.br/geral/cuidar/indicacao/demora-crianca-falar/

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